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Kamba Kua: festa de São Baltazar e a comunidade afro-paraguaia

A história da comunidade afro-paraguaia de Fernando de la Mora, seu balé e suas danças, e como viver as festas de São Baltazar em janeiro.

Uma mulher, um homem e uma criança caminham junto a tambores de madeira inclinados sob bandeiras vermelhas, amarelas e azuis ao entardecer.
Neste guia
  1. Quem são os kamba?
  2. Tambores, danças e San Baltazar
  3. Quando ir: as festas de janeiro
  4. Como visitar com respeito
  5. As outras comunidades afro-paraguaias

Kamba Kua é a comunidade afro-paraguaia mais conhecida do país e fica na zona norte de Fernando de la Mora, cidade colada a Assunção (Ministério da Cultura⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠). Não é um ponto turístico com horário: é um bairro onde as pessoas moram. Para conhecer a cultura de lá, vá na primeira quinzena de janeiro, quando a comunidade celebra San Baltazar com tambores, danças e procissão abertas ao público.

Quem são os kamba?

A comunidade se reconhece como descendente dos afrodescendentes que chegaram com o general uruguaio José Gervasio Artigas quando ele se exilou no Paraguai, em 1820. O governo do Dr. Francia os instalou onde vivem hoje, com lotes e ferramentas de lavoura (Ministério da Cultura⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠). O nome, em guarani, significa «caverna de negros» (Última Hora, 2019⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠).

O Ministério da Cultura lembra que a área foi antes parte de uma estância jesuíta e que ex-escravizados fugidos do Brasil também se instalaram nos arredores, embora a comunidade se identifique com os lanceiros de Artigas. Para o leitor brasileiro, é um elo direto entre as histórias dos dois países.

Tambores, danças e San Baltazar

A dança e o tambor são a marca de Kamba Kua, e a devoção ao rei mago San Baltazar é o que reúne todo mundo em janeiro (Ministério da Cultura⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠). O que você vai ver:

Quando ir: as festas de janeiro

As datas mudam todo ano e são anunciadas entre o Natal e o Ano-Novo.

Como visitar com respeito

  • É um bairro residencial, sem horário de visita nem passeio guiado: fora das festas, não vá «percorrer» como se fosse museu.
  • A noite de 5 para 6 é religiosa. Peça licença antes de filmar ou fotografar alguém de perto.
  • Leve dinheiro em espécie para a entrada e a cantina.
  • As festas começam às 21h e vão até tarde: combine a volta antes de sair. Fernando de la Mora fica a uns 6 km do centro de Assunção pela avenida Eusebio Ayala, e Kamba Kua está na zona norte (Wikipedia⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠).

As outras comunidades afro-paraguaias

Kamba Kua não é a única. O censo de 2006–2007 incluiu também Kamba Kokue, em Paraguarí, a uns 60 km ao sul de Assunção, e Emboscada, em Cordillera, a uns 35 km ao norte (Ministério da Cultura⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠; Última Hora, 2019⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠). Na Fiesta Kamba de 2026, o grupo Los Pardos Libres de Emboscada se apresentou como convidado (La Nación, 2025⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠).

Se você se interessa pela herança afro na arte popular, o Museo del Barro, em Assunção, expõe máscaras de Kamba Ra'anga dos séculos XIX e XX, usadas na festa de San Baltazar de Tobatí (Museo del Barro⁠⁠ (abre numa nova aba)⁠).

Perguntas frequentes

Onde fica Kamba Kua?

Na zona norte de Fernando de la Mora, cidade do departamento Central vizinha de Assunção, a uns 6 km do centro pela avenida Eusebio Ayala.

Quando é a festa de São Baltazar em Kamba Kua?

O dia do santo é 6 de janeiro, com tambores e danças na Capilla San Baltasar na noite anterior. Os dois festivais caem em sábados próximos: em 2026 foram nos dias 3 e 10 de janeiro.

De onde vêm os kamba?

A comunidade se reconhece como descendente dos afrodescendentes que chegaram com José Gervasio Artigas em 1820 e receberam terras perto de Assunção do Dr. Francia.

Existem outras comunidades afro-paraguaias?

Sim: Kamba Kokue, em Paraguarí, e Emboscada, em Cordillera. As três participaram do censo de afrodescendentes de 2006–2007.

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