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Kamba Kua é a comunidade afro-paraguaia mais conhecida do país e fica na zona norte de Fernando de la Mora, cidade colada a Assunção (Ministério da Cultura (abre numa nova aba)). Não é um ponto turístico com horário: é um bairro onde as pessoas moram. Para conhecer a cultura de lá, vá na primeira quinzena de janeiro, quando a comunidade celebra San Baltazar com tambores, danças e procissão abertas ao público.
Quem são os kamba?
A comunidade se reconhece como descendente dos afrodescendentes que chegaram com o general uruguaio José Gervasio Artigas quando ele se exilou no Paraguai, em 1820. O governo do Dr. Francia os instalou onde vivem hoje, com lotes e ferramentas de lavoura (Ministério da Cultura (abre numa nova aba)). O nome, em guarani, significa «caverna de negros» (Última Hora, 2019 (abre numa nova aba)).
- Terras: na década de 1940 perderam a maior parte das terras (Wikipedia (abre numa nova aba)).
- Organização: a Associação Kamba Kua existe desde 1999 e coordenou o censo de afrodescendentes de 2006–2007 nas três comunidades do país (Ministério da Cultura (abre numa nova aba)).
- População: esse censo contou 418 pessoas em 89 domicílios em Kamba Kua; em 2019 a comunidade falava em uns 700 moradores (Ministério da Cultura (abre numa nova aba); Última Hora, 2019 (abre numa nova aba)).
O Ministério da Cultura lembra que a área foi antes parte de uma estância jesuíta e que ex-escravizados fugidos do Brasil também se instalaram nos arredores, embora a comunidade se identifique com os lanceiros de Artigas. Para o leitor brasileiro, é um elo direto entre as histórias dos dois países.
Tambores, danças e San Baltazar
A dança e o tambor são a marca de Kamba Kua, e a devoção ao rei mago San Baltazar é o que reúne todo mundo em janeiro (Ministério da Cultura (abre numa nova aba)). O que você vai ver:
- O balé. O Grupo Tradicional Kamba Cua foi formado em 1976; Lázaro Medina, filho de Santiago Medina, deu novo fôlego ao grupo e criou a Fiesta Kamba. Hoje tem mais de 100 integrantes, entre percussionistas e bailarinos dos grupos infantil, juvenil e adulto (La Nación, 2025 (abre numa nova aba)).
- O repertório. Danças como Santo sapatu, Kuarahy, Tuja'i, Guarimba Galopa, San Baltazar e Pitiki pitiki (La Nación, 2025 (abre numa nova aba)).
- As cores. Vermelho e amarelo, as do manto de San Baltazar (Última Hora, 2019 (abre numa nova aba)).
- O rito. Na noite de 5 para 6 de janeiro, na Capilla San Baltasar, a comunidade toca e faz suas danças rituais: são seis, cada uma com seu significado, contou um integrante (ABC Color, 2025 (abre numa nova aba)).
Quando ir: as festas de janeiro
- Fiesta Kamba «Lázaro Vive». Em frente à Capilla María Auxiliadora, na Capitán Rivas com 6 de Enero, num sábado do começo de janeiro às 21h; em 2026 foi no dia 3 (La Nación, 2025 (abre numa nova aba); ABC Color, 2025 (abre numa nova aba)).
- Noite de 5 para 6 de janeiro. Tambores e danças rituais na Capilla San Baltasar (ABC Color, 2025 (abre numa nova aba)).
- Festival San Baltazar no Club 6 de Enero. Organizado pelo Grupo Tradicional San Baltazar, num sábado às 21h; em 2026 foi no dia 10 (ABC Color, 2025 (abre numa nova aba); La Nación, 2019 (abre numa nova aba)). Em 2025 a entrada custava G. 40.000 e houve procissão, feira de artesanato e kishima, feita com coco, mandioca e queijo na brasa (ABC Color, 2025 (abre numa nova aba)).
As datas mudam todo ano e são anunciadas entre o Natal e o Ano-Novo.
Como visitar com respeito
- É um bairro residencial, sem horário de visita nem passeio guiado: fora das festas, não vá «percorrer» como se fosse museu.
- A noite de 5 para 6 é religiosa. Peça licença antes de filmar ou fotografar alguém de perto.
- Leve dinheiro em espécie para a entrada e a cantina.
- As festas começam às 21h e vão até tarde: combine a volta antes de sair. Fernando de la Mora fica a uns 6 km do centro de Assunção pela avenida Eusebio Ayala, e Kamba Kua está na zona norte (Wikipedia (abre numa nova aba)).
As outras comunidades afro-paraguaias
Kamba Kua não é a única. O censo de 2006–2007 incluiu também Kamba Kokue, em Paraguarí, a uns 60 km ao sul de Assunção, e Emboscada, em Cordillera, a uns 35 km ao norte (Ministério da Cultura (abre numa nova aba); Última Hora, 2019 (abre numa nova aba)). Na Fiesta Kamba de 2026, o grupo Los Pardos Libres de Emboscada se apresentou como convidado (La Nación, 2025 (abre numa nova aba)).
Se você se interessa pela herança afro na arte popular, o Museo del Barro, em Assunção, expõe máscaras de Kamba Ra'anga dos séculos XIX e XX, usadas na festa de San Baltazar de Tobatí (Museo del Barro (abre numa nova aba)).
Perguntas frequentes
Onde fica Kamba Kua?
Na zona norte de Fernando de la Mora, cidade do departamento Central vizinha de Assunção, a uns 6 km do centro pela avenida Eusebio Ayala.
Quando é a festa de São Baltazar em Kamba Kua?
O dia do santo é 6 de janeiro, com tambores e danças na Capilla San Baltasar na noite anterior. Os dois festivais caem em sábados próximos: em 2026 foram nos dias 3 e 10 de janeiro.
De onde vêm os kamba?
A comunidade se reconhece como descendente dos afrodescendentes que chegaram com José Gervasio Artigas em 1820 e receberam terras perto de Assunção do Dr. Francia.
Existem outras comunidades afro-paraguaias?
Sim: Kamba Kokue, em Paraguarí, e Emboscada, em Cordillera. As três participaram do censo de afrodescendentes de 2006–2007.



